Sexta-feira, 05 de Junho de 2020
Turismo

Circuito em torno do Pico Paraná é novo atrativo do Litoral

Publicada em 21/02/20 às 14:01h - 118 visualizações

por Agência Estadual de Notícias


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 (Foto: Agência Estadual de Notícias)

O Bairro Alto de Antonina, no Litoral do Paraná, também carrega a alcunha de Vale do Gigante. Distante mais de 30 quilômetros do Centro da cidade, ele guarda os pés do Pico Paraná, a montanha mais alta da Região Sul (1.877 metros de altura) e histórias que parecem realismo mágico.

O Vale do Gigante se consolidou como um dos principais atrativos turísticos do Litoral em 2017, depois de algumas consultorias da administração municipal e do Sebrae, e nos últimos dois anos vem ganhando mais protagonismo em decorrência da união dos empresários locais.

Em 2020 eles vão tirar do papel a Associação Pico do Paraná, que é uma tentativa dos moradores de estabelecer mais independência turística, uma rota de subida do Pico partindo de Antonina e uma programação anual de eventos. Os representantes desse coletivo pretendem desenvolver projetos em parceria com a Paraná Turismo, a prefeitura e o setor privado para garantir, inclusive, acessibilidade nas trilhas.

A região do Vale do Gigante concentra a maior parte do turismo de aventura do município. Há empresas especializadas em rafting, os espaços de festa em torno do Rio do Nunes - onde turistas e moradores saltam de cordas esticadas em árvores sobre as águas doces -, pousadas, restaurantes, parques aquáticos, casas com café colonial, os rios Cacatu e Cachoeira, a Vila da Copel e a Usina Parigot de Souza, maior central subterrânea do sul do País. O local também é apontado como reduto de onças-pintadas e de centenas de aves, trilhas e cachoeiras.

Uma das principais agitadoras desse movimento é Tânia Lopes, proprietária do Santuário Vale do Gigante, misto de pousada, restaurante e retiro espiritual no coração da Mata Atlântica. Ela organiza o principal festival do siri da cidade, que ocorre no mês de março, eventos com carrinhos de rolimã, caminhadas na natureza, corridas e encontros de remadores de caiaque.

“Somos um canto de paz, de aventura, de conexão com a natureza. Queremos atrair mais turistas e apresentar as belezas da Serra do Mar para todo o País, passando pelas trilhas que levam até o Pico Paraná e a necessidade de preservação ambiental. O turismo que estamos fomentando é de resgate da cultura local e de geração de emprego para a comunidade”, afirma.

Allana Cristina Araújo, responsável pela programação turística da prefeitura de Antonina, destaca que há articulação entre os setores privado e público em torno do Vale do Gigante. “Estamos tentando estimular esse movimento. É um lugar onde os empresários já se integraram para desenvolver o potencial turístico. Temos tentado formular políticas públicas específicas para esse local, com intuito de apresentar para o País, nos mesmos moldes do que se faz com o Pantanal, as riquezas da Mata Atlântica”, pontua.

SANTUÁRIO  Quem passa pelo Vale do Gigante tem a oportunidade de conhecer a história da Tânia Lopes e de sua devoção a todas as formas de amor – mas é preciso perguntar. Ela é uma ex-professora de educação física de Curitiba que largou a carreira para erguer um ponto de encontro no pé da Serra do Mar.

Tânia tem a propriedade há 25 anos, mas há pouco mais de um ano e meio desenvolve esse projeto que envolve hostel, restaurante, camping e retiro espiritual, de acordo com o perfil do visitante.

Partindo da pousada são duas trilhas em direção à cachoeira do Saci: a mística (meditativa, que é feita em silêncio, conta com a presença de um índio tupi-guarani e uma roda de diálogo sobre a vida em torno de uma fogueira) e a ecológica (para observação de aves, árvores, riachos e animais).

CACATU – Outro espaço que conta com muita história é o Cacatu, reduto da primeira colônia japonesa em território paranaense. Quem atende os visitantes é Marcia Ito Kikuti, simpática senhora que recebe hóspedes e turistas com calma oriental e, eventualmente, pratos com bambu.

A história do Cacatu (o nome, indígena, faz referência a um papagaio branco) é o berço da imigração japonesa do começo do século passado, numa era pós-guerra entre Japão e Rússia e de mais industrialização. As primeiras famílias chegaram no Porto de Antonina, subiram o rio de mesmo nome e compraram terras na região em 1917. Ao todo, foram 175 famílias.

O objetivo, à época, era de instalação não definitiva, tanto que as famílias apostaram em escolas de japonês para educar os filhos e incentivar o retorno. Eles plantavam arroz, cana-de-açúcar e legumes que eram vendidos no mercado municipal de Antonina.

As famílias prosperaram na região, mas os acontecimentos históricos não permitiram o regresso. Um decreto do ex-presidente Getúlio Vargas durante a Segunda Guerra Mundial determinou que os imigrantes de países do Eixo deixassem a costa, apelidada de “faixa de segurança nacional”. Com isso, eles tiveram menos de 48 horas para reunir as mudanças e partir, e as famílias acabaram se espalhando por todo o País.

Atualmente o Cacatu é um santuário que homenageia essa imigração e que hospeda pessoas e os barcos de pescadores da redondeza. Isso porque Marcia Ito Kikuti também organiza passeios no rio Cacatu, que passa ao lado da casa/hotel.

“Eu visitei o Japão há alguns anos, estudei lá por um tempo, e o mais engraçado do Cacatu é que conseguimos manter boa parte de uma estrutura muito antiga da língua. O Japão se abriu comercialmente e se transformou nos últimos anos. Nós ainda falamos do jeito que aprendemos com os antepassados. O japonês do Cacatu é mais raiz do que o japonês do Japão”, afirma. “Foram anos muito difíceis para os imigrantes e aqui temos um ponto de encontro da história, um ponto que celebra aqueles que atravessaram o mundo para viver no Paraná”.

PICO PARANÁ – O Pico Paraná está presente em todas as fotografias do Vale do Gigante. Ele é o ponto mais alto do Sul e é formado por três cumes: o próprio Pico Paraná, União e Ibitirati. Do seu cume é possível dimensionar o tamanho da Serra do Mar, trechos do Litoral, de Curitiba e das demais cidades do primeiro planalto. A trilha parte de Campina Grande do Sul e geralmente envolve acampamento.




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